A.’.G.’.G.’.A.’.D.’.U.’.

 

A.’.R.’.L.’.S.’. MÁRCIO DUTRA – 455

 

A ORIGEM DOS COMPANHEIROS

 

 

    O mais genuíno de todos os Graus Maçônicos é o de Companheiro, por ser uma síntese histórica e doutrinária na qual se basearam todas as fases da ascensão do Obreiro ao mais alto Grau de qualquer Rito. Não é um Grau intermediário, é o ciclo principal de todas as Doutrinas Maçônicas, razão pela qual não pode ser considerado perfeito Maçom o Obreiro que não o conhecer de modo satisfatório.

    Na Maçonaria Operativa o Mestre não passava de um Companheiro mais experimentado e mais indicado para dirigir as construções e contratar as empreitadas. As cinco viagens simbolicamente representadas nos Rituais especulativos posteriores e as respectivas passagens de uso de vários instrumentos, como se demonstra na Iniciação do Grau, constituem uma sugestiva reminiscência dos tempos da Maçonaria profissional e, principalmente, da época medieval das Corporações e respectivas Fraternidades. As “franquias”somente eram concedidas a Obreiros formados e a direção de obras, ou melhor, o mestrado cabia exclusivamente àqueles que houvessem viajado e participado de edificações levantadas em várias cidades.

                       

   

ORIGEM DO GRAU DE COMPANHEIRO

 

 

    Até os anos de 1670, não existe um único documento registrado, que cite o Grau de Companheiro.  O Grau de Companheiro Maçom nasceu então por volta da década de 1670. Desde o ano de 1356, onde nasceu a Maçonaria Documentada, registra, até a década de 1670, predominou o grau de Aprendiz. Todos os antigos Catecismos, especialmente os mais confiáveis, só mencionaram  Aprendiz e Companheiro trabalhando juntos. A exemplo da palavra Mestre (Masters) que não significava Grau, mas sim, um Cargo, o termo Companheiro também não significava Grau e, sim, um tratamento especial válido para todos os componentes da Associação, que eram chamados de Companheiros desde o Aprendiz até o Mestre da Lojas. Não havia Graus, e a maioria das Lojas dividia  seus membros em duas categorias: Aprendizes Juniores (recém-ingressados) e Aprendizes Seniores (os mais antigos). O Grau de Companheiro teve origem nos Aprendizes Seniores que, a partir de 1670, começaram a criar Sinais, Toques e Palavras, diferenciadas das dos Aprendizes Juniores. Todavia, não havia reuniões, nem Cerimônias especiais para esse Grau. Até os Painéis desenhados nos assoalhos das Tavernas era um só, para Aprendizes e Companheiros.

     Apesar de o Grau de Companheiro ser relativamente recente, ele é o primeiro Grau Organizado, pois o Grau de Aprendiz não era um Grau, era uma condição, um início de Profissão, um trabalhador incompleto, sem o pleno domínio da profissão.

     Com a criação do Grau de Companheiro pelos poucos Maçons “Aceitos”, até então, houve por bem adotar uma Palavra de Passe, própria, que  fosse desconhecida dos Aprendizes.  Era uma Palavra válida para os dois Graus –Aprendizes e Companheiros. Mas não havia nenhum segredo entre os Aprendizes e Companheiros, tudo era comum entre eles. Com o ingresso dos “Aceitos”, homens de posses e homens da nobreza, começaram a surgir alguns preconceitos. Nos Banquetes de Iniciação, por exemplo, os Aprendizes comiam na cozinha e os Companheiros comiam na sala. Essa questão aparece em cinco dos dezessete Documentos mais  antigos, os quais contêm essa questão da diferença entre o Grau de Cozinha e o Grau de Sala.

     Outra questão que merece algumas palavras é a adoção pelos Maçons “Aceitos”, de uma Palavra de Passe de Companheiros. Algum Irmão bem versado em Bíblia, buscou nesta, na Guerra dos Efraimitas, a palavra utilizada, palavra essa que tem sua história dentro do Velho Testamento, e a partir daí passou a ter também grande significação dentro da Maçonaria.

      O Ritualismo especulativo do Grau de Companheiro não se definiu senão no século XVIII e anos depois da data de São João de 1717, marco da fundação oficial da primeira Grande Loja do mundo, a de Londres.

     O sentimento de solidariedade, que nasce da sincera e íntima comunhão entre os Irmãos, deve ser a constante preocupação do Companheiro.Se a Liberdade é o ideal do  Aprendiz, que aspira a Luz, a Igualdade é o do Companheiro, para que possa solidificar os sentimentos de Fraternidade.

     Às qualidades e aspirações do Aprendiz, deve o Companheiro, acrescentar a capacidade de realizar, praticamente, em atividade construtiva, os conhecimentos adquirido. 

 

 

                                      Oriente de Assis, 11 de junho de 2008 E.’.V.’.

 

                                              

 

                                               MARCOS ANTONIO CARDOSO DE MORAES

                                               C.’.M.’.